PROCESSOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS DA FORMAÇÃO TERRITORIAL DO ESTADO DO PARÁ
PROCESSOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS DA FORMAÇÃO TERRITORIAL DO ESTADO DO PARÁ
Anderson dos Santos
Gonçalves
Este breve texto tem como objetivo trazer uma
abordagem sistemática, onde se caracteriza os principais processos históricos e
geográficos da formação territorial do estado do Pará, incluindo contextos que
apontam a importância das drogas do sertão no período colonial e a atuação da
gestão pombalina. Foi utilizado como referencial teórico para elaboração deste fichamento
textual as obras de Maria Gorete da Costa Tavares, André José Santos Pompeu
e Francisco de Assis Costa, professores da Universidade Federal do Pará.
Em síntese, os atuais limites, assim como a
extensão territorial do Brasil são as consequências de um processo histórico
que se iniciou com a chegada dos portugueses em 1500 e a partir daí, procuraram
fazer do Brasil uma colônia de exploração para Portugal. É a partir desse
contexto que se analisa a formação territorial em vários aspectos, não
delimitado, pois o Brasil iniciava um longo caminho de atuação direta da coroa
com suas administrações que no futuro, se tornariam o primeiro passo para o
desmembramento em relação a Portugal. Por uma abordagem espacial de territórios
específicos, aqui trata-se dos meios de nascimento e proporção do território
Paraense que por vários processos sofreu determinadas modificações devido às
suas especificidades, em decorrência por recursos e territorialidades. Como os
Holandeses e os Ingleses se tornaram os primeiros europeus a povoar o
território paraense, o qual seu principal objetivo era a exploração das
especiarias, porém com a finalidade de consolidar a região como território
português, a coroa analisando o risco que estava passando por invasões, fundou
o Forte do Presépio, uma das primeiras construções mais significativas da
região, dando fundação à Cidade de Belém em 1616, o qual na época se chamava
Santa Maria de Belém do Grão Pará. Contudo essa atual ocupação foi bastante
tensa com conflitos, pois historicamente a população habitante da região passou
a ser escravizada, pois o modo de produção da época era extrativista, então a
população indígena que não foi massacrada por tentar resistir ao homem branco,
se tornaram refém da coroa para este trabalho de buscas por recursos como as
drogas do sertão; o oposto do restante da América Portuguesa o qual seu modo de
produção era baseado na monocultura. Para uma administração da região, Portugal
enviou grupos denominados Jesuítas, a companhia de Jesus para trabalhar na
gestão dos índios, catequizando-os à uma nova cultura, a de Portugal. Foram
denominadas vilas em todo o percurso da região, onde cada grupo religioso
ficava responsável pela produção e educação dos índios. Essas vilas denominadas
de núcleo coloniais da Amazônia passaram a se tornar cidades de extrema
importância que administravam toda a região na gestão pombalina.
É de extrema importância salientar que no período
do século XVIII, o território paraense se encontrava dividido por duas
capitanias, Grão Pará e Maranhão, porém na totalidade dessa região já existiam
a cultura da lavoura de café, cacau, cana de açucar, arroz, tabaco, etc.
Culturas fortes que se concentravam em toda a região. Este período foi marcado
por um grande desenvolvimento o qual estava dentro da gestão de Marques de
Pombal; seu interesse era muito grande pela administração do território,
investindo na colonização e trazendo de Portugal pessoas para administrar junto
a ele. Nota-se que na gestão Pombalina houve de fato um desenvolvimento dentro
do território do Grão Pará e Maranhão em vários aspectos, pois trouxe para a
região engenheiros, arquitetos, médicos, personalidades de cunho profissional de
extrema importância, este mecanismo de poder tornou a cidade de Belém o centro
urbano com alto desenvolvimento no início do século XIX. Marques de Pombal
possuía uma visão além do limite em relação a melhorias de uma região que antes
era apenas vista como um território recém descoberto para um aspecto notório ao
mundo. Nesse período, Marques de Pombal decidiu expulsar os Jesuítas da região
o qual administravam o território por ordem da coroa. Este grupo de Jesuítas
viram que com a ordem e poder centralizado nas mãos, estavam organizando essa
administração, detendo-as em seu poder, monopolizando-a, ocultando resultados à
coroa, devido a região ser rica em recursos e mão de obra escrava.
Em 1821 os paraenses iniciaram dois conflitos,
algo que mudaria o cenário da região, onde o primeiro apoiava naquele momento a
revolução constitucionalista do Porto e o segundo conflito seria a Cabanagem
que passou por um período entre 1835 a 1840. Uma revolução que tomou expansão e
proporção por toda a região amazônica; com a saída de Marques de Pombal do
governo, abrindo mão do poder e consequentemente com a estagnação que só veio
terminar próximo do fim do século XIX, por sua vez iniciando assim o ciclo da
borracha. Este período trouxe grande desenvolvimento para o comércio e a
indústria da região; diz-se que o ciclo da borracha foi a época de grande
ascensão da massa burguesa e o esplendor da sociedade paraense, iniciando o
século XX. Pra se ter ideia, Belém se tornara naquele momento o centro de
comércio mundial da borracha. Contudo toda ascensão tem a sua queda e com o
ciclo da borracha não foi diferente, a queda da economia seringueira teve
vários fatores que contribuíram para este processo e um deles foi a perda da
exportação da borracha para outros países, em decorrência da alta concorrência
para a cultura de seringais asiáticos.
O problema maior nesta diferença é que a produção
na Ásia era feita em larga escala, a cultura terminava e logo em seguida era
trabalhado novas plantações sem perder tempo e foco. A questão na Amazônia era
que a produção não estava estrategicamente calculada e programa, pois os
extrativistas iam em busca das seringueiras, adentrando às florestas e isso
demandava dias para poder extrair o látex e nesse contexto, perderam a
concorrência da exportação, pois a Ásia passou a produzir e exportar com
maiores quantidades e velocidade de produção. Com isso veio a queda na economia
da borracha, onde toda a região amazônica entrou em estagnação, vindo a se
superar apenas na década de 60 com o desenvolvimento agrícola no sul do estado
do Pará e com a ampliação do extrativismo mineral como o ouro na Serra Pelada,
o ferro na Serra dos Carajás com o Projeto Grande Carajás e assim, o estado do
Pará voltou a ter uma economia mais respirável e controlada a partir de novos
recursos os quais antes não se tinham ideia de sua magnitude e proporção.
Neste fichamento foi trazido um pouco da Formação
do estado do Pará e aspectos que contribuíram para o seu desenvolvimento, a
partir de todos os processos que evidenciaram sua trajetória até o presente
momento onde o território se encontra.
REFERÊNCIAS
TAVARES, Maria Gorete da Costa. (UFPA). A Formação Territorial do Espaço Paraense: dos fortes à criação dos municípios. Vol. 2. 3ª Edição. Belém: Acta Geográfica, 2008.
POMPEU, André. A Economia
das Drogas do Sertão na Amazônia Colonial (Primeira Metade do Século XVIII).
História e Economia, v. 27, n. 2, p. 17-33, 2022. COSTA, F. de A.
Lugar e significado da gestão pombalina na economia colonial do
Grão-Pará. Nova Economia, [S. l.], v. 20, n. 1, 2011.

Comentários
Postar um comentário