RESENHA: BARCARENA, FORMAÇÃO TERRITORIAL
BARCARENA FORMAÇÃO TERRITORIAL
Anderson dos Santos Gonçalves
Maria Diana Ribeiro de Sousa
1. INTRODUÇÃO
Conforme os textos
abordados em sala durante o período deste semestre, foram discutidos o processo
de formação territorial e histórica de alguns municípios do estado do Pará,
assim como a sua própria territorialização que aos poucos e com o tempo, foi se
fragmentando com os movimentos e mudanças que se sucederam para esta construção
ao que se vê hoje. E nesta breve resenha, foi escolhido o município de
Barcarena, onde será construída uma análise de seu processo histórico de
construção, as problemáticas que surgiram no decorrer deste processo e os
pontos positivos que apresentam este município como a cidade das oportunidades
e do desenvolvimento sustentável, apresentando a cidade de Barcarena como um
dos maiores detentores de refinaria de alumina do mundo. Sabemos que o processo
de urbanização das cidades amazônicas acaba que transformando praticamente todo
o cenário urbano, assim como o rural e esta abordagem vem tratar exatamente até
que ponto essas transformações permitem o desequilíbrio histórico dessas
cidades e além de tudo e em muitas das vezes, a não recuperação da dinâmica
original em sua identidade de vivências e costumes de uma determinada região.
2. CONTEXTO HISTÓRICO
Data-se por volta de 1700
quando neste período as vilas da região eram comandadas pelos padres jesuítas e
consequentemente os índios catequisados por estes. Na região que compreende a
atual Barcarena os primeiros habitantes foram os índios Aruans, os quais
também passaram pelo processo de ensino e educação jesuítica. Este povoado
passou por algumas etapas, então o mesmo foi constituído em 1758 à categoria de
Freguesia sob nomeação de São Francisco de Xavier Barcarena. Entretanto todo o
processo histórico de urbanização de uma determinada localidade tem seus altos
e baixos nas lutas de construção territorial.
No passado, Barcarena foi uma das grandes
protagonistas na revolução mais importante da história brasileira, a revolta da
cabanagem. Como berço da revolução cabana, pois Cônego Batista Campos nascido e
morto em Barcarena, no movimento revolucionário de tentativa de tomada de poder
pelo povo, Batista Campos sofre perseguição e nesta fuga acaba se refugiando em
Barcarena onde certamente conhecia bastante pessoas e morre no mesmo local. Há
algumas histórias sobre a morte de Batista Campos, mas nenhuma delas tem total
certeza afirmada. Sua morte foi atribuída à perseguição que os nacionalistas
paraenses sofriam desde o episódio do Brigue Palhaço; foi o estopim para o
levante, pois no dia de seu sepultamento os revolucionários cabanos se reuniram
e decidiram invadir Belém em 7 de janeiro de 1835. Deu-se o início a primeira
revolução popular bem sucedida das américas, e única do período regencial
brasileiro a chegar efetivamente ao poder, a Cabanagem. Pela força o Pará
aderia à independência do Brasil. Em um período de 3 séculos de história,
Barcarena deixou de ser aldeia indígena pra se tornar pólo de grande
importância de desenvolvimento econômico do estado do Pará, mas especificamente
a partir da década de 1970 com a chegada dos grandes projetos como a Albrás, a
maior exportadora de Alumínio do Brasil.
3. FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
Elevado
à categoria de município com a denominação de Santa Maria de Belém do Pará,
em 1616, posteriormente tomou de Belém. Instalado em 1616. Em
1750, é criado o distrito de Abaeté e anexado ao município de Belém. Em
1758, foram criados os distritos de São Francisco Xavier de Barcarena e
Igarapé-Miri anexados ao município de Belém.
Pela Lei Provincial n.º 113, de 1843, desmembra do município de Belém o
distrito de Igarapé-Miri. Elevado à categoria de município. Pela Lei n.º
118, de 1844, o distrito de Abaetetuba deixa de pertencer ao município de Belém
passando a pertencer ao município de Igarapé-Miri. Pela Lei n.º 885, de
16-04-1877, o distrito de Abaeté volta a pertencer ao município de Belém.
Pela Lei Provincial n.º 973, de 23-03-1880, desmembra do município de Belém o
distrito de Abaeté. Elevado à categoria de município. Pelo Decreto-lei n.º
236, de 09-12-1890, desmembra do município de Belém o distrito de São Domingos
da Boa Vista. Elevado à categoria de município. Pela Lei Estadual n.º 494,
de 10-05-1897, desmembra do município de Belém o distrito de São Francisco de Barcarena.
Elevado à categoria de município
Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído
do distrito sede.
Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1920, o município aparece
constituídos de 3 distritos: Belém, Castanhal e Santa Isabel do Pará. Pelo
Decreto-lei Estadual n.º 6, de 1930, Belém adquiriu os extintos municípios de
Acará, Igarapé-Miri, Moju e Conceição do Araguaia, sendo seus territórios
anexados ao município de Belém.
Pelo Decreto Estadual n.º 78, de 1930, desmembra do município de Belém os
distritos de Igarapé-Miri e Moju, para constituir o novo município de
Igarapé-Miri. Pelo Decreto Estadual n.º 565, 1931, desmembra do município
de Belém o distrito de Santa Isabel. Elevado à categoria de
município. Pela Lei n.º 579, 1932, desmembra do município de Belém, o
distrito de Acará. Elevado à categoria de município. Pelo Decreto Estadual
n.º 600, de 1932, desmembra do município de Belém o distrito de Castanhal.
Elevado à categoria de município. Sob o mesmo Decreto Belém adquiriu o
território do extinto município de Santa Isabel. Em divisão administrativa
referente ao ano de 1933, o município é constituído do distrito sede.
Pela Lei Estadual n.º 8, de 1935, desmembra do município de Belém o distrito de
Conceição do Araguaia. Elevado à categoria de município.
Em divisões territoriais datadas de 1936 e 1937, o município aparece
constituído de 11 distritos: Belém, Aicaraú, Barcarena, Caratateua, Conde,
Genipauba, Ilha da Onças, Itupanema, Mosqueiro, Pinheiro Val de Cães.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 2.972, de 1938, os distritos de Ilha das Onças e
Genipauba perderam a categoria de distrito, passando a figurar como zona do
distrito de Belém. Sob o mesmo o decreto, o distrito de Caratateua perdeu a
categoria de distrito, passando a pertencer ao distrito de Pinheiro, município
de Belém e Itupanema perdeu a categoria de distrito, passando a figurar no
distrito de Barcarena.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 3.131, de 1938, o município de Belém adquiriu do
município de Santa Isabel os distritos de Ananindeua, Benfica e Engenho Araci
(ex-Araci), que teve sua denominação alterada pelo mesmo Decreto-lei acima
citado. Pelo Decreto-lei Estadual n.º 4.505, de 1943, desmembra do
município de Belém, os distritos de Barcarena e Murucupi (ex-Conde).
4. INFRAESTRUTURA URBANA E RURAL
No
final do século XIX ocorreu a criação da Lei Estadual nº 494, de 10 de maio de
1897, a qual trata da instalação do distrito de Barcarena, em 2 de janeiro de
1898. A partir da promulgação do Decreto-Lei Estadual nº 4.505, de 30 de
dezembro de 1943, Barcarena passou a ser reconhecida como Município do Estado
do Pará. Já na década de 1970, é um período de muitas transformações no
território brasileiro, pois é resultado de ações do governo federal, que tinham
o intuito do ordenamento territorial e complexos regionais brasileiros, de modo
a adequá-los ao contexto de incorporação das economias nas dinâmicas da
globalização ocorrente.
É
importante destacar que, posteriormente, houve por parte do governo federal a
oferta as empresas Albrás/Alunorte uma série de incentivos, objetivando
propiciar para a região a exploração de alumínio na região. A energia elétrica
foi um dos grandes atrativos, pela forma como foi ofertada. Em 1973 a ELETRONORTE - Centrais Elétricas do
Norte do Brasil S/A - foi criada para potencializar a exploração do potencial
energético da região, além de construir um grande e chamativo sistema, a Usina
Hidrelétrica de Tucuruí, responsável por fornecer energia aos Grandes Projetos
de produção minério metalúrgicos.
É
importante destacar ainda que as configurações territoriais das redes
hidrelétricas, de transportes, redes elétricas, de comunicação, rede urbana,
foram e são de suma importância para a constituição de um processo de
modernização contribuindo assim para a implantação de indústrias de grande
porte no município de Barcarena. Do ponto de vista das modificações
demográficas, segundo o IBGE, no Censo de 1970, o município de Barcarena
apresentava 79,12% da população do município ligada às atividades de agropecuária,
extrativismo vegetal e pesca; 8,45% à atividade industrial e 12,43% ao setor de
serviços, ou seja, Barcarena era um município onde a economia estava
predominantemente ligada às dinâmicas do meio rural em 1970. Da ótica política, a gama de benefícios
ofertados pelo Estado aos empresários do ramo do alumínio foi ampliado ainda
mais quando o projeto Albrás/Alunorte, oriundo do III Plano de Desenvolvimento
da Amazônia (1980-1985), em 1981, começou a fazer parte do conjunto dos
empreendimentos do Programa Grande Carajás. Destaca-se ainda que em Barcarena,
a formação sócio territorial, de tradicionalidade e ruralidade, que antes era
predominante, foi reestruturado, principalmente na década de 1970 e 1980, por
um complexo industrial-portuário ligado à transformação de bauxita em alumina e
alumínio e a sua exportação. A presença e as atividades de algumas empresas
como Alunorte, Haidar, Minerva, e recentemente, a Imerys, tem contribuído
significativamente para a graves episódios de degradação ambiental, com sérias
consequências para comunidades rurais e urbanas do município de Barcarena.
Porém, segunda a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (FAPESPA),
entre os anos de 2010 e 2016, o município mais que duplicou o PIB, o que é um
forte estímulo a ignorar os descasos ambientais que ocorrem na região.
Segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) as áreas pertencentes
à Vila dos Cabanos e Vila do Conde como áreas de aglomerado rural isolado, um
tipo de interpretação de povoado. Vale ressaltar, que segundo o Plano Diretor
de Desenvolvimento Urbano de Barcarena (PDDUB, 2016), Barcarena possui dois
distritos: Barcarena Sede e o Distrito de Murucupi. No Distrito de Murucupi
ficam localizadas a Vila Nova, Vila São Francisco e Vila dos Cabanos (ou Núcleo
Vila dos Cabanos), porém nos últimos anos surgiram novas ocupações como:
Pioneiro e Laranjal; ambas interligadas a Vila dos Cabanos, além do complexo
industrial.
Vale
ressaltar ainda que a região de São Francisco, uma das mais antigas
comunidades, que fica as margens do Rio Barcarena, passou por um acelerado
crescimento populacional desde a implementação do complexo industrial,
atingindo um total de cerca de 1.500 habitantes em 1989.
Já
em Vila Nova, situada à margem da baía do Marajó, próximo ao núcleo
populacional de Itupanema, surgiu com o intuito proporcionar assentamento para
famílias remanejadas em função das desapropriações implementadas pela Albrás/
Alunorte.
Em
Vila Itupanema, situada à margem direita da baia do Marajó é anterior a Albras/
Alunorte e nos primeiros anos de atividade industrial não sofreu um aumento
significativo da população. Sua população tinha atividades voltadas para a
caça, pesca, extrativismo vegetal e cultivos de pequenas lavouras de
subsistência e itinerantes. Entretanto, nos últimos anos, a Vila de Itupanema
vem apresentando um acelerado e significativo crescimento populacional
promovido pelos constantes processos de ocupação espontâneas.
5. CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA
A
Cidade de Barcarena no estado do Pará tornou-se região metropolitana de Belém
em 2023, após aprovação da Lei complementar n° 164 de 5 de abril de 2023, pela
Assembleia Legislativa do Pará e finalmente sanção do Governador Helder
Barbalho.
5.1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
Localizada na mesorregião geográfica
metropolitana de Belém. a uma latitude 01º30'21" sul e a uma longitude
48º37'33" oeste, estando a uma altitude de 15 metros em relação do nível
do mar. Ao lado dos municípios de Belém, Ponta de Pedras e Abaetetuba,
Barcarena situa-se a 15 km a Sul-Oeste de Belém.
5.2 DENSIDADE DEMOGRÁFICA
Com população estimada,
para 2021, em 129.333 habitantes distribuídos em uma área de 1.310,338 km²,
tendo uma densidade demográfica de mais ou menos 98 habitantes por km².
Entre 2010 à 2021, a taxa
média anual de crescimento da população de Barcarena foi estimada em 2,4% ao
ano. Observou-se um crescimento superior ao registrado pelo agregado nacional e
paraense, respectivamente, 1,0% e 1,3% ao ano.
De acordo com dados do
último Censo Demográfico, realizado pelo IBGE em 2010, 63,65% da população
barcarenense residia em áreas rurais e 36,35% residiam em áreas urbanas. Uma
população eminentemente rural. Neste mesmo ano, os homens representavam cerca de
50,42% da população e as mulheres representavam 49,58%.
Tabela 1 – Distribuição
da população de Barcarena, Pará e Brasil por situação de domicílio – Censo 2010
Fonte: IBGE censo 2010
Segundo
dados do IBGE, Barcarena vem em evolução no crescimento populacional nos
últimos censos de 1991 a 2010, em que em 1991 a população da cidade era de
45.946 em 2000 aumentou para 63.268 e no censo de 2010 apresentou população de
99.859, um aumento de 117,34% em duas décadas.
Barcarena, segundo o
censo do IBGE-1991, 2000 e 2010, teve importantes mudanças na sua estrutura
etária, em que a população igual ou superior a 50 a 59 anos, que sofreu uma
variação de 318,82% ao longo dos três últimos censos, para uma variação de
44,70% da população de crianças de 0 a 9 anos. A variação da população total de
Barcarena de 1991 a 2010 foi de 136,29%.
5.3.
ELEITORES
Barcarena é o 8º colégio eleitoral
segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral TSE- com um contingente de, em 31
de dezembro de 2021, 90.697 eleitores, correspondendo a 1,63% do eleitorado
paraense.
REFERÊNCIAS
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pa/barcarena/panorama
BARCARENA EM NUMEROS 2022 Disponível em: https://datasebrae.com.br/data/docs/datasebrae-para/Estudos-biblioteca/Estatisticas-municipais-SebraePA/cidade-empreendedora/cidade-em-numeros/BARCARENA_Final_26_04.pdf>.Acesso
em 03.12.2023.
BARCARENA PARÁ. https://pt.wikipedia.org/wiki/Barcarena_(Par%C3%A1).> Acesso
em 04.12.2023
PORTAL CIDADE BRASIL https://www.cidade-brasil.com.br/municipio-barcarena.html
Acesso em 04.12.2023
Interfaces do rural e do urbano na cidade de Barcarena, Amazônia
https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/interespaco/article/download/16091/8652/48453?shem=ssc


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